Sem
dúvida, o Rock nacional dos anos 80 é um movimento que marcou
época. Num país reprimido por uma ditadura e iniciando seu
processo de redemocratização, nada mais natural que nele se
desenvolvesse um estilo musical que fosse espelho dessa realidade.
Apesar de serem o retrato de um período,
muitos grupos soam atuais até hoje. É o caso do Capital Inicial,
cujo seu último CD acústico ultrapassou a marca de 500 mil cópias;
dos Engenheiros do Hawaii, que lançaram um disco ao vivo e tocarão
no Rock in Rio III e dos Titãs que continuam nas paradas de sucesso,
só que agora com um álbum formado de covers.
Todos disputando espaço com artistas mais recentes.
O que esses e outros grupos oitentistas têm
para continuar na ativa e arrebanhar fãs mais jovens? Essa e outras
respostas podem ser obtidas em
BRock – O Rock Brasileiro dos Anos 80 de
Arthur Dapieve. Na obra, lançada em 1995, o autor traça um quadro
geral de um movimento que buscava a valorização dos anseios da
juventude.
Após um curto porém belo prólogo – que
resgata o clima dos primórdios do movimento no Circo Voador –, o
livro começa pelos antecedentes do BRock, do final dos anos 50 até
desembocar no início dos 80. Reserva um capítulo à parte para
cada um dos grupos que conseguiu grande destaque – entre eles:
Legião Urbana, Barão Vermelho e RPM –, um outro reservado aos
chamados grupos da “Segundona”, que apesar de não obterem grande
sucesso tiveram sua importância como os Inocentes, liderados por
Clemente (único negro que a se firmar num ambiente de brancos) e do
Kid Abelha, que conta com Paula Toler (uma das raras mulheres que
conseguiu mostrar seu valor num espaço predominantemente masculino).
Aqueles que apesar de não se tornarem
grandes nomes, receberam seu espaço em as “Divisões de Base” do
BRock. fundamental para que este se desenvolvesse, os grupos que não
chegaram à fama foram importantes na consolidação do movimento.
Com uma narrativa bem cuidada e recheada de
detalhes (que não empobrecem a obra), Dapieve analisa o futuro do
BRock com um capítulo referente a primeira metade dos anos 90.
Tendo em vista a conjuntura político-econômica do país, coloca de
forma contundente a gestação, o crescimento e o porque da
sobrevivência desse Rock com uma cara de Brasil.
A 2ª edição, lançada em 96, conta com
um posfácio sobre Renato Russo. Esse acréscimo ocorreu devido a
morte do líder do Legião Urbana no final daquele ano. Ao lado de
Arnaldo Antunes e Cazuza, ele pode ser considerado um dos maiores
poetas do BRock.
Jornalista especializado em cultura, Arthur
Dapieve acompanhou o movimento que ele mesmo batizou de BRock não só
no jornal “O Globo”, onde ele trabalha, como no “Jornal do
Brasil” e na revista “Veja”. O jornalista, formado na PUC-Rio,
tenta não ser amoroso com o tema de sua publicação – em muitos
momentos consegue –, fazendo com que o leitor encontre não uma
obra nostálgica mas uma que retrate uma fase de nossa história em
que (parafraseando Cazuza) “O Tempo Não Para”. Nos pontos
exatos e com uma precisão cirúrgica, Dapieve coloca toda a sua
afeição pelo BRock, não de forma alienada mas norteado por
referências de quem presenciou e vivenciou aqueles momentos.
Enfim, o livro é uma maneira de relembrar
ou conhecer a forma de expressão dos conflitos e anseios de uma
geração. Coisas que transcendem uma juventude e se eternizam na
cultura de um país.
Livro:
BRock – O Rock Brasileiro dos Anos 80, de Arthur Dapieve.
Rio de Janeiro: Editora 34, 224 páginas.
Obs.: Texto escrito durante o curso de Publicidade da PUC-Rio no ano de 2000.
Obs.: Texto escrito durante o curso de Publicidade da PUC-Rio no ano de 2000.

Nenhum comentário:
Postar um comentário